O Grande Voo do Pardal
2007-11-05 17:21:40
A estreia no livro infantil dá-se como dedicatória aos afilhados. Através deles fez revisão da matéria dada com os filhos.
“A História já existia na minha cabeça, era só passá-la ao papel. É baseada na memória que guardo do vizinho mais próximo que tinha em Boliqueime, amigo muito querido que era como um irmão para mim e um São Francisco para os animais: o Henrique Gaspar que já antes me inspirara a “História de Coiote”. São sempre histórias arrancadas à vida. Esta partiu do episódio em que ele adoptou um pardal que uma vez curado voou, mas voltou e ficou. E como este houve outros, tantos, que todos lhes chamamos ‘os pássaros do Henrique ’… Foi uma coisa tão intensa que, numa tarde e numa noite, estava escrita!”, conta.
Da infância, em Boliqueime, Algarve, de onde é natural e onde mantém uma casa de família, guarda a recordação de um grande amor pelos animais e de uma repreensão ainda maior pelo pároco local.
“Quando era criança, gostava tanto de animais que baptizei todos os da casa. E eram muitos: galinhas, coelhos, patos, mulas, burros. Tudo tinha nome e a bênção do Espírito Santo, o que me valeu um grande sarilho e valente repreensão do padre… Foi muito difícil convencer-me de que uma cerimónia que era boa para as pessoas não o era para os bichos”, recorda.
Apesar de nem sempre ser fácil a comunicação entre adultos e crianças, escrever para gente miúda não foi problema. Lídia tem a seu favor dois filhos já adultos e dois afilhados ainda pequenos: a Joana e o Júnior, a quem dedica o livro… Surpresa!
“São duas crianças de seis anos com quem mantenho uma relação muito forte e com quem fiz uma espécie de revisão da matéria daquilo que foi a relação com os meus filhos, hoje, adultos. Na altura deles estava eu absorvida com outro tipo de ficção mas guardei imagens e ideias e adiei”, conta.
Entre a criança que foi e a adulta em que se tornou, Lídia encontra diferenças. Irreconciliáveis.
“Sou pragmática, coisa que não era. Continuo a gostar de animais mas tenho medo de que não me deixem viver, por isso, fico-me pelos gatos. Meço muito bem de que maneira é que os bichos podem não deixar a vida acontecer. Para mim, e para eles que, sem condições, também são infelizes”, afirma.
Há muito quem defenda que escrever é emendar a vida. Lídia subscreve. “Escrever é tentar levar harmonia aonde a gente não a encontra. É emendar a vida, sim”.












